Na caminhada cristã, se podemos ter uma certeza é que sempre podemos melhorar nossa vida e nossa relação com Deus.
Depois de um tempo conseguimos manter um estilo cristão, modo de falar e comportamento que são aceitáveis e bem vistos pela sociedade, porém isso não significa que realizamos isso em gratidão a Deus e que buscamos um relacionamento pessoal e real com Deus por conta desses comportamento, corremos o risco de cair no automático e o que era ou já foi importante deixa de ser na nossa vida privada.
Pessoalmente me pergunto muitas vezes porque se torna cada vez mais difícil pegar a Bíblia para ler e ouvir a voz de Deus, apesar de todas as vezes que venço a dificuldade isso se torna algo prazeroso e edificante. O mesmo vale para a vida de oração e piedade, começamos a criar uma barreira perigosa em começar a fazer algo, apesar de sermos surpreendidos quando realizamos.
Vamos começar essa meditação lendo a Palavra de Deus:
Marcos 6.30–44 (ARA)
30Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado.
31E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham.
32Então, foram sós no barco para um lugar solitário.
33Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles.
34Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.
35Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada a hora;
36despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer.
37Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?
38E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: Cinco pães e dois peixes.
39Então, Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde.
40E o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinquenta em cinquenta.
41Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes.
42Todos comeram e se fartaram;
43e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.
44Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.
Contexto do Livro :
Em Mc 3.13-19 Jesus escolhe 12 discípulos para que o acompanhem em seu ministério, enquanto vai ensinar, pregar e realizar milagres.
Até Mc 6, é possível observar o ministério de Jesus, seus ensinos pregações e milagres que ele realiza enquanto discípula esses 12, explicando coisas em particular, formando e capacitando esses homens.
Jesus estava anunciando o reino de Deus.
Contexto prévio a passagem (o que deu origem a situação?):
Em Mc 6 Jesus chega em sua terra natal, Nazaré, na Galiléia, onde ele prega mas é rejeitado, há uma incredulidade grande por parte do povo na cidade, povo que o conhecia desde a infância e não o reconheciam como profeta.
Em Mc 6:7-13 Jesus envia os seus discípulos para anunciar o reino de Deus, dando algumas instruções e concedendo autoridade, poder para que seus discípulos possam pregar o arrependimento.
Primeiro Jesus escolheu seus discípulos, em Mc 3, depois ele ensinou e conduziu os discípulos enquanto observavam a forma de Jesus pregar e realizar milagres. Agora Jesus os envia para colocarem em prática o que aprenderam.
Como até esse momento a Bíblia não estava completa, a autoridade para realizar maravilhas que Jesus concedeu aos discípulos é necessária para provar para o povo que esses homens são homens de Deus.
Em Mc 6.14-29, vemos que por consequência da pregação dos discípulos e de Jesus, o nome de Jesus se tornou conhecido, assim como o seu poder e autoridade, tanto que Herodes acredita que esse Jesus é João Batista que de algum modo deve ter ressuscitado, algo que não aconteceu, João Batista foi morto por Herodes e continuou morto, aquele que prega e que os discípulos anunciam as multidões é Jesus o ungido de Deus.
Qual o problema gerado no texto?
Em Mc 6:30-33 Os discípulos retornaram da missão e prestaram um relatório das experiências, das pregações e das maravilhas que realizaram. Mas o nome de Jesus e as ações dos discípulos se tornaram conhecidas em uma magnitude que eles não conseguiam tempo para comer, então Jesus se retira com os discípulos para um lugar mais reservado, vão de barco a uma região deserta.
Porém as pessoas viram eles se retirando e o destino que tomaram, então as multidões deram a volta por terra até o local que Jesus e os discípulos iriam desembarcar.
Mc 6:34 Jesus se depara com a multidão sedenta por conhecer o reino de Deus, conhecer a mensagem do arrependimento, Jesus observa nelas essa necessidade, a carência de cuidado e passa a ensiná-las.
Mc 6:35-36 Jesus passou o dia ensinando, chega a tarde, o lugar é deserto e não tem alimento para toda essa gente, os discípulos querem dispensar todo mundo para que cada um vá pelas aldeias e supra suas necessidades. o problema é a falta de recursos daquele lugar. As pessoas estão com fome e precisam se alimentar.
Como o Problema é solucionado?
Mc 6:37-44 Jesus primeiro desafia os seus discípulos a resolverem o problema, mas eles alegam que o valor para alimentar aquela multidão é exorbitante, equivalente a 200 dias de trabalho para fornecer pão, provavelmente eles nem tinham esse valor.
Mas Jesus pergunta o que eles conseguem para prover para esse povo, eles conseguem oferecer cinco pães e dois peixes.
Com 5 pães e dois peixes, Jesus realiza o milagre da multiplicação e alimenta toda a multidão, não apenas alimenta, mas sobraram 12 cestos cheios, houve saciedade.
O que esse texto nos ensina?
Apesar do milagre da multiplicação ser o grande destaque nessa passagem, Jesus queria impactar os discípulos e não a multidão.
Do começo ao fim desse episódio Jesus está se relacionando, ensinando os seus discípulos, ele quer moldar bons discípulos que darão continuidade em seu ministério.
Após os discípulos retornarem da missão de pregar o reino de Deus, Jesus quer que eles aprendam ainda mais e trabalhem em prol dos outros.
Ser discípulo de Jesus é ser servo assim como Jesus é servo e a situação gerada nessa narrativa é um momento oportuno de aprendizado.
Os discípulos aprendem observando e ouvindo o exemplo e palavras do mestre.
Podemos observar nessa passagem as qualificações de um bom discípulo.
1° Um discípulo qualificado se compadece dos perdidos
Marcos 6.34 (ARA)
Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.
Ao se deparar com pessoas sedentas por conhecer o reino de Deus, pessoas que estão perdidas e buscam respostas para dar sentido à vida, o discípulo deve se compadecer.
O compadecimento que deve ser gerado em nosso coração ao nos depararmos com os perdidos nos remete ao compadecimento que Jesus Cristo teve por nós.
Nós estávamos na posição dos perdidos, cegos, distantes de Deus, enganados pelos nossos próprios erros, buscando algum significado para a nossa existência e Cristo nos encontrou, nos redimiu, pagou o preço pelo nosso pecado, para que tivéssemos reconciliação com Deus.
Agora somos chamados para replicar a compaixão, assim como fizeram conosco, nos contando a mensagem do reino de Deus.
Jesus teve compaixão da multidão e começou a ensinar, falar as coisas do reino, falar sobre o arrependimento para a salvação.
O discípulo de Jesus deve estar atento às oportunidades para compartilhar a maior benção que recebeu em sua vida a bênção da salvação, não com um olhar frio, fazendo apenas como se fosse um dever, mas com amor por aquela alma, por amor ao seu Senhor.
O discípulo deve ter um coração voltado ao auxílio do perdido, do necessitado, pois o discípulo é um embaixador do Reino de Deus, é um enviado, é um portador da verdade, ele conhece a salvação e por conhecer se torna responsável pela divulgação ou omissão dessa verdade.
O problema é que nós não temos toda essa disposição de ajudar o perdido, achamos que o outro não é digno da nossa misericórdia, da nossa compaixão, mas que ele merece sofrer, passar por aflições porque afinal, olha a forma que ele vive, o que ele faz, como ele se comporta.
Muitas vezes aplicamos a nossa misericórdia apenas a nós mesmos, não acreditamos que somos tão pecadores assim, não cremos que nossos erros sejam frutos apenas da nossa escolha, mas que várias outras coisas nos levaram a pecar e por isso nos distanciamos de Deus.
No fundo não cremos que somos tão maus quanto os outros, não aceitamos que o nosso pecado e nossa situação que nos condenou ao inferno foi apenas culpa nossa.
Temos que matar esse sentimento pecaminoso que diz que não somos maus, que não erramos, que não pecamos tanto assim.
Nós merecemos a morte e todos os dias com nossas ações provamos que não temos a capacidade de obedecer a Deus como deveríamos, somos pecadores.
Quanto mais reconhecermos o quão pobres e desprezíveis somos por conta das nossas ações, conseguiremos ter compaixão pelo perdido, porque o veremos como um igual, que necessita tanto de Cristo quanto eu, quanto você.
Sua missão como discípulo é essa, reconheça que você é pecador, para que você possa olhar para o outro com compaixão e oferecer ao outro o que foi oferecido para você, a mensagem de salvação.
2° Um discípulo qualificado é proativo
Marcos 6.35–37 (ARA)
35Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada a hora;
36despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer.
37Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?
Identificar um problema não é difícil, o problema sempre dá os seus sinais, problema sempre faz algum barulho, um alerta, o difícil é resolver problemas.
Os discípulos de Jesus identificam o problema – o lugar é deserto, não tem comida, está tarde as pessoas estão com fome.
A grande questão é que os discípulos querem se ver longe do problema e não ter proatividade para resolver o problema. por isso querem que Jesus despeça as pessoas.
Mas um discípulo de Jesus é chamado para estender a mão da ajuda, Jesus fala isso para eles, “Dai-lhes vós mesmos de comer”.
Somos chamados para ajudar as pessoas com seus problemas e não para mostrar indiferença às necessidades dos outros, e muitas vezes fazemos isso dentro da igreja, minimizando a dor do outro, podendo ajudar, preferimos nos omitir.
As vezes o outro necessita apenas desabafar, mas se o assunto não é algo confortável ou que vai me dar trabalho para aconselhar, então – eu troco de assunto, invento uma desculpa, crio um compromisso, faço algo para me distanciar do problema.
Somos chamados para estender a mão, para ajudar, colocar a mão na massa, mas claro que para isso é necessário uso da sabedoria, mas a realidade é que não queremos nos envolver com o outro, assumir o problema do outro para nós, isso não é pensar como corpo, como igreja, isso não é pensar com amor aos perdidos, isso não é cristão, é clubista.
Podemos orar com aquele que está enfrentando tentações, ler a bíblia com ele, aconselhar. Podemos em uma crise financeira de alguém, ajudar com o pouco que temos, podemos oferecer uma carona para aquele que necessita ir a um hospital.
Nós podemos ser proativos e ensinar o que aprendemos com a vida para aqueles menos experientes, ensinar o caminho das pedras na vida conjugal, profissional, nos estudos.
Normalmente o que falta não é condições para ajudar o outro, mas falta a vontade, o amor, humildade, falta proatividade cristã.
Se Cristo não tivesse proatividade em assumir o nosso lugar pagando o preço da nossa dívida pelo pecado, sendo ele o único capaz de pagar esse preço, onde você estaria hoje?
Os discípulos são chamados para se envolver com a obra de Deus de forma integral, com a vida toda, com disposição e proatividade para resolver não apenas os seus problemas, mas os dos outros, pois Cristo resolveu a nossa situação.
3° Um discípulo qualificado usa o que tem nas mãos
Marcos 6.38 (ARA)
38E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: Cinco pães e dois peixes
Marcos 6.41–42 (ARA)
41Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes.
42Todos comeram e se fartaram;
Para resolver o problema os discípulos devem usar o que está ao seu alcance,o que Deus já colocou em suas mãos.
Toda obra, todo o milagre é feito por Deus e da forma que Deus quer e quando Deus assim desejar, mas sempre tem algo ao nosso alcance que podemos fazer.
Conheço pessoas que não tem condições de comprar remédios para os enfermos, mas já acompanharam muitas pessoas em hospitais e revezaram com acompanhantes de enfermos de pessoas que sequer são parentes.
Temos que usar aquilo que Deus colocou em nossas mãos para ajudar o necessitado, para socorrer o aflito, trazer paz ao perdido.
Com o que temos nas mãos Deus pode fazer milagres, Deus pode multiplicar, Deus pode fazer infinitamente mais do que imaginamos.
Olhe para o que você tem nas mãos , seu conhecimento, seus bens, seu modo de ser, coloque todas essas coisas a serviço do reino de Deus e experimente ser um discípulo melhor, integral, abandone a escala 1×6, crente de Domingo e o resto da semana indiferente.
Deus usa seus discípulos com o que eles possuem, com suas características, com os seus bens, para realizar a sua maravilhosa obra, se ele nos coloca em uma determinada situação é porque ali temos um propósito para cumprir, então olhe para o que lhe foi dado e utilize em prol do reino de Deus.
Conclusão:
Bons discípulos qualificados têm compaixão pelos perdidos, se empenham em amar e levar esperança aos desolados, levar a mensagem da salvação aos perdidos.
Bons discípulos qualificados são proativos para resolver problemas, possuem coragem e se envolvem com os outros, são servos assim como Cristo é servo, estão aptos e prontos para servir, para ajudar o necessitado.
Bons discípulos qualificados não criam desculpas que os impeçam de ajudar, mas arregaçam as mangas e utilizam os recursos que têm à disposição.
Bons discípulos qualificados acreditam que Deus realiza a obra através das suas vidas, são instrumentos nas mãos do Deus todo poderoso que é capaz de fazer maravilhas, que não os deixa desamparados, mas os usa como instrumentos para cumprir propósitos soberanos neste mundo.
Apesar de não sermos ainda discípulos qualificados, estamos em processo de qualificação, quem nos molda é o próprio Espírito Santo, Deus, que habita em nós e através da Santa Palavra, edifica nossa vida, graças a Deus que essa obra não depende de nós, mas Deus a realiza em nosso ser, mas isso não é desculpa para fugirmos da nossa responsabilidade.
Quem na sua vida precisa experimentar a compaixão de Cristo através de você? Pense em uma pessoa e compartilhe este texto com ela, como um primeiro passo para ser proativo no cuidado e no amor ao próximo.